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Setor imobiliário vê início de recuperação.

Setor imobiliário vê início de recuperação.

Para empresários e entidades do mercado imobiliário, 2017 vai marcar o início da retomada do setor . Eles justificam o otimismo apontando que a enconomia brasileira tem dado recentimente sinais de recuperação, com queda nas taxas de juros e recuo da inflação. O cenário positvo seria, na visão deles, reforçado pela perspectiva de manutenção dos cortes graduais da taxa básica de juros nos próximos meses.

  “Há expectativas da Caixa de crescimento do mercado imobiliário, mas há também dados que já mostram essa realidade”, afirmou o presidente do banco público, Gilberto Occhi ontem, durante o Summit Imobiliário 2017, evento organizado em uma parceria do Estado com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secivi-SP) e que contou com a presença de associações e empresários da construção civil.

  Occhi também lembrou que os financiamentos concedidos pelo banco para compra e a construção de imóveis no primeiro bimestre deste ano são maiores do que no mesmo período de 2016, reforçando as expectativas de que o mercado imobiário voltará a crescer em 2017. “As perspectivas positivas são ancoradas em medidas aprovadas recentimente pelo governo, como o limite dos gastos  públicos e a terceirização.”

  Em janeiro e fevereiro, o banco liberou R$14 bilhões de financiamento imobiliário. Para todo o ano, a Caixa tem um orçamento de R$84 bilhões em empréstimos nessa área, montante um pouco acima de 2016 quando atingiu R$81 bilhões.

  “Os investidores já olham o Brasil de outra forma neste ano. A gente sabe da necessidade de ajustes econômicos e de outras questões específicas que podem ajudar na recuperação do setor, como a calibragem do Plano Diretor de São Paulo, por exemplo, mas estamos no caminho”, disse o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary.

 

Confiança

“Sou mais otimista do que a média. A retomada vai vir mais cedo do que muitos imaginam”

Rubens Menin

PRESIDENTE DO CONSELHO DA MRV

 

  O presidente do conselho de administração da MRV Engenharia, Rubens Menin, disse acreditar que o mercado mostrará uma retomada gradual no curto a médio prazo, sustentada pela demanda consistente por imóveis, pela oferta de financiamento e pela continuidade do Minha Casa, Minha Vida.

  Neste ano, o Ministério das Cidades ampliou as metas de contratação do programa ante 2016 e expandiu as faixas de renda e os valores dos imóveis enquadrados. Menin observou que ele é superavitário nas faixas 2 e 3, de maior renda.

  “Os anos de 2015 e 2016 não foram bons para o setor, mas sou mais otimista do que a média. A retomada vai vir mais cedo do que muitos imaginam”, disse Menin. Diante das boas perspectivas, ele considera a possibilidade de o setor voltar a gerar empregos neste ano.

  Ele observou que o Brasil ainda conserva um crescimento demográfico significativo, o que impicará necessidade de produção de 35 milhões de moradias ao longo dos próximos 20 anos para as famílias que continuam se formando. “Isso faz do Brasil o quarto maior mercado de habitação do mundo, em termos de demanda”.  

Ressalvas. Os empresários admitiram, no entanto, que o desemprego elevado ainda preocupa e tem deixado o cosumidor mais inseguro na hora de se comprometer com gastos significativos, como a compra do imóvel. O número de desempregados alcançou o patamar recorde de 13,547 milhões de pessoas no trimestre encerrado em fevereiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE. 

  O ano também não começou bem para o setor. A venda de unidade residencial novas cidade de São Paulo resgistou queda de 34,5% em janeiro, em relação ao mesmo mês de 2016, segundo pesquisa divulgada pelo Secovi. “ A crise é grave, mas não apagou o déficit habitacional do País. A dificuldade de venda existe, mas vai acabar logo”, disse o presidente da entidade.

  “ Há propriedade com vacância no pico, isso acontece com galpões, unidades comerciais e shoppings. Mas o mercado não tem precificado a crise política, o investidor acredita na retomada”, disse Bruno Laskowsky, diretor da CSHG Real Estate.

 

Alckmin diz que retomada será 'consistente'

 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse acreditar que o País está em um cenário de recuperação da economia. “Não vai ser rápida, mas tenho certeza que ela será consistente”, disse, na abertura do Summit Imobiliário 2017 – evento realizado ontem, em uma parceria do 'Estado' com o Secovi-SP. Alckmin lembrou que foi lançada audiência pública para a criação de um  fundo imobiliário em São Paulo, inicialmente em 300 imóveis, e que o governo publicou o edital de concorrência da parceria público-privada (PPP) Nova Cidade Albor, que pretende contruir 13,1 mil moradias na região metropolitana da capital paulista. O governo também reforçou a parceria público-privada, em conjunto com a prefeitura, para a contrução de prédios nas áreas remanescentes do Metrô e da CPTM, próximas aos trilhos.

  “Há um ano, esse era um evento de choradeira. Agora, a expectativa geral do setor é positiva, de que o ano que vem será de crescimento na economia e este ano é a hora exata de planejar”, disse o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), no evento. Ele aproveitou para reforçar à plateia que era “candidato a ser um bom prefeito, nem a govenador nem a presidente” e que sua gestão está focada na cidade, não em discursos populistas. Para um público formado por empresários e representantes do setor imobiliário, Doria também admitiu reavaliar regras do Plano Diretor de São Paulo, aprovado na gestão de Fernando Haddad (PT). “Se for necessário mudar a lei, mude-se”./Daniel Weterman E D.G.